quarta-feira, 28 de julho de 2010

Paulo Miklos


Por KAREN LEMOS
SÃO PAULO - Com diversas facetas, Paulo Miklos surpreende toda vez que se envolve em um novo desafio. Quando é para fazer, faz bem feito.
Prova disso está em seu talento, já comprovado, como músico da banda Titãs, conjunto de rock que teve inicio da década de 80, e, recentemente, com papéis irreverentes para o cinema e para a televisão.
Em produções como “O Invasor”, “Estômago”, “Força Tarefa” e, agora, no seriado global “Na Forma da Lei”, em que viveu Zé Gorila, um dos capangas do personagem Honorato, (vivido pelo ator Ernani Moraes), que comete crimes encomendados pelo criminoso.
Nesses papéis, Miklos traz sua desenvoltura de ator em personagens vilões que, para ele, são mais interessantes e ricos de se explorar. “Sempre há uma explicação por trás do porque ele é daquele jeito, porque age daquela forma”, explicou em conversa com o Famosidades.
Além do cinema, Paulo investe também na carreira de radialista. Toda as segundas-feiras apresenta um programa na rádio Transamérica. Novidade? Que nada! Multifuncional, nosso entrevistado já arriscava passos na locução ainda na época auge do Titãs.
“Desde o princípio já fiz muito rádio, sempre achei uma ferramenta bem fundamental. Eu ia com o Titãs em programas dar entrevistas, tocar, participar da programação”, contou.
Essas e outras curiosidades você confere em nosso bate-papo com esse artista, que ainda teve espaço para debate sobre pirataria, Twitter, construção de personagens e projetos futuros – que ele revela pouco, mas promete novidades.

FAMOSIDADES - Você fez muitos papéis deste tipo na ficção, como nos filmes “O Invasor” e “Estômago”. Sente-se mais a vontade com esse tipo de personagem?
PAULO MIKLOS - Normalmente esses personagens malvados são mais densos, mais interessantes de explorar. Sempre há uma explicação por trás do porque ele é daquele jeito, porque age daquela forma. O personagem mais tranquilo, não. O tranquilo você não percebe essas nuances. Gosto mais de personagens densos porque tem esse movimento, esse interesse a mais. Mas também não pode fazer disso uma coisa caricata, estereotipada. Quando eu fiz um matador de aluguel em “O Invasor”, em que meu personagem era um cara super carrasco, eu tomei cuidado com essa padronização do vilão.

Existe uma Identificação entre seus personagens?
Sempre existe alguma identificação. Mas nada impede de você se adaptar a realidade do seu personagem. Eu também posso me projetar, me colocar do outro lado. O Max [personagem de “É Proibido Fumar”] é um cara que odeia cigarro, e eu fumo há 30 anos [risos]. Mas, com o tempo, fui descobrindo qual era a dele. Fizemos fotos antigas, para entrar no filme, em que ele aparece fumando, ou seja, é um ex-fumante, que é pior ainda de uma pessoa que não fuma. Max era chato com cigarro, pegava muito no pé.

Como é a construção dos seus personagens?
Varia muito. Primeiro eu passo por um entendimento do personagem que começa pela percepção do roteiro, conversas com o diretor do filme e, alguns personagens são baseados em livros, então você recorre à obra para se aprofundar naquela pessoa. É montar um quebra-cabeça e ir percebendo, aos poucos, o que você quer e o que você não quer daquele personagem. Depois vêm as características físicas, você o imagina de barba, usando certas roupas, enfim, mas também não posso querer ser um rapaz de 1,80m de altura e olhos verdes, tenho que pensar em alguém com essa cara feia aqui [risos].

Você usa a música como forma de auxílio em seus trabalhos no cinema?
Isso vem de encontro com a minha experiência de intérprete no Titãs. Eu tenho uma postura para cantar uma música romântica, mais melódica, e outra completamente diferente em uma música pesada, que eu uso a voz no berro. Quando tive minha primeira experiência no cinema, percebi ali um ambiente que eu conhecia muito bem. Me dei conta de que tudo era muito parecido com uma banda. Na equipe cada um tem sua função, mas todo mundo está focado em fazer acontecer. Existe uma entrega muito grande da parte de todos, que estão diante do mesmo desafio e vivem um caso de amor com essa história, com os personagens, enquanto eles durarem. É igual uma banda deve ser.

O que você aprendeu com o cinema?
Ganhei uma coragem de encarar novos desafios com o cinema. Além disso, hoje eu tenho um entendimento de técnica, do cinema por trás, que eu nunca tinha imaginado existir. Consegui uma outra visão de cinema, não consigo mais assistir um filme como eu fazia antes. Agora eu vejo um filme, e sou capaz de entender algumas idéias de bastidores, coisa que só adquirir por ter trabalho em alguns filmes em produções para televisão.

Está sendo tranquilo gravar um programa de rádio (“Segunda-Feira Sem Lei”, na Transamérica)? Tem sentido alguma dificuldade?
Desde o princípio já fiz muito rádio, sempre achei uma ferramenta bem fundamental. Eu ia com o Titãs em programas dar entrevistas, tocar, participar da programação ao vivo e tudo o mais. Já tive um outro programa na Transamérica também, e acho uma delícia isso. Gosto muito do ao vivo e no “Segunda-Feira Sem Lei” temos gravado tudo neste formato.

A seleção de músicas é feita como? Que critérios você costuma a usar?
Não tem critério algum. O barato é justamente essa falta de critério. Tudo surge do vasto, de coisas malucas, é bem esse conceito de sem lei. Cada um sugere um som e o programa se transforma em um tipo de tiroteio, saudável, claro. É tudo bem amplo e aberto, e há também a possibilidade de tocar algumas coisas que eu gosto, que jamais poderia ouvir em uma programação normal de rádio.
Nesse programa vocês costumam a selecionar algumas apostas, bandas ou cantores novos, que divulgam seus trabalhos na internet.

O que você pensa dessa renovação do mercado musical?
Considero essa discussão de trânsito das músicas bem positiva. É o rádio moderno isso. Antigamente, nós gravávamos tudo em uma fitinha meia boca e enviávamos para a gravadora. Depois era só ficar na torcida. Hoje é mais simples, você faz sua gravação e disponibiliza na internet. Agora, eu não acredito que isso me impeça de ser fã de algum cantor ou de alguma banda. Posso, muito bem, comprar o CD se eu gostar do som. Se não fosse assim, a moda do vinil não teria voltado. Muitos querem a arte, querem ter o produto em mãos. Aos poucos vamos percebendo que uma coisa, como a pirataria, não implica na outra.

Muitas vezes programa é medido pelo feedback no Twitter. O que você pensa dessa ferramenta, ela aproxima ou super expõe as pessoas?
Depende muito do uso que você faz dele. Toda hora nós estamos nos expondo. Esse programa de rádio não deixa de ser uma exposição. Estou lá mostrando meus gostos e preferências musicais. De certa forma, você participa disso [Twitter] tudo da forma como você se coloca na vida. Você tem essa possibilidade super bacana de falar com as pessoas em tempo real. É bem divertida essa ideia.

Mudando um pouco de assunto. Dá para conciliar o trabalho nos cinemas e na rádio com a agenda do Titãs?
Tem sido tranqüilo, nós trabalhos com agenda. Uma coisa que acontece também é que rola muita consciência entre a gente. Cada um tem seus compromissos pessoais e sempre nos planejamos com antecedência para que seja possível fazer tudo.

Qual são seus próximos passos agora?
Continuo em turnê com o Titãs. Além disso, tenho um projeto para mais um filme, mas não posso adiantar nada, nem sobre meu personagem, nem sobre o diretor. Vou esperar mais um tempo para anunciar.



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