Vera Holtz
Por JULIANA LISBOA
RIO DE JANEIRO - Ela rouba a cena em “Passione” como a mãezona Candê, uma feirante paulistana que batalha para levar uma família conturbada nas costas. Mas, mesmo voltando às raízes interioranas para compor a personagem, se engana quem pensa que Vera Holtz seja tão parecida com ela. “A Candê é muito exagerada, tem essa coisa maternal que eu não tenho, é um universo bem distinto do meu. E não sou louca de trabalhar assim, não!”, garantiu a atriz com muito bom humor ao Famosidades.
E foi, também, de um jeito muito descontraído que ela falou de assuntos mais sérios e polêmicos, como gravidez na adolescência e aborto, que são abordados atualmente em “Passione” e que Candê assistiu de perto. E podemos adiantar que Vera fica feliz com o resultado positivo que tem visto nas ruas por parte dos telespectadores.
“A juventude hoje é muito abandonada e não se conversa sobre esses temas de sexo, doenças sexualmente transmissíveis, drogas, como se deveria. Acredito que todos eles têm que ser discutidos nessa sociedade tão ‘livre’. As pessoas estão despreparadas, crescem sem limites.”
Vera contou ainda ao Famosidades que recebeu o convite de Sílvio de Abreu para participar da novela quando ainda estava gravando “Três Irmãs” e encarnava uma personagem bastante diferente, a vilã Violeta. E comentou que esta foi uma experiência muito divertida: “A vilã é libertadora! Senti-me tipo o Coringa do 'Batman', sabe? Eu me pegava pensando ‘qual é a crença dessa mulher para ela achar que tem o direito de fazer isso tudo’?”.
Apesar de estar focada nas telinhas, Vera confessou que, como todo bom ator, sente falta do teatro. “Eu acho que é uma forma gostosa de passar as noites, no palco, atuando. Teatro e uma delícia, quero voltar, sim”, declarou.
FAMOSIDADES - Hoje você está vivendo a mãezona Candê, em “Passione”. O que levou você a aceitar o papel?
VERA HOLTZ - Normalmente a gente recebe alguns chamados que não têm como negar. Eu estava ainda fazendo “Três Irmãs” quando o Sílvio [de Abreu] me chamou, e, como eu gosto muito do trabalho dele, topei. A primeira coisa que a gente vê é o autor e os direitores da novela para identificar como vai ser mais ou menos a novela. Na época, eu só sabia que seria feirante e mãe do Reynaldo Gianecchini. Hoje em dia a gente sabe mais cedo do andamento do roteiro, né? Tudo é feito com muita antecedência
.
Você fez algum tipo de preparação para “entrar” na personagem?
Eu viajei um pouco, sou do interior de São Paulo, e nessa época de preparação procurei ficar mais próxima da minha família, das minhas primas, para observar. O sentimento, as vestes, a energia, as emoções... O sentimento, mesmo, para dar o tom da personagem sem exagerar. Viajei para Minas, também... Observei muito as reações das pessoas, foi bem interessante.
Você é de Tatuí, interior de São Paulo. O sotaque que ouvimos na novela é o seu, mesmo, ou você está usando outro?
O sotaque é mais exagerado, tem um exagero no “r”, não é bem assim que eu falo, não! Mas cabe para a Candê, porque acho que a personagem é mais montada no exagero, mesmo.
Mesmo sendo uma mulher trabalhadora e honesta, o filho de Candê, Fred, é mau-caráter; Fátima quase morreu fazendo um aborto; e Felícia engravidou quando adolescente. Será que a superproteção da Candê
acabou fazendo mal aos filhos?
Ela mal está em casa, trabalha o dia inteiro! É uma mulher que se acostumou a trabalhar muito, porque precisou assumir as contas da casa quando o primeiro marido perdeu a mão no acidente na empresa. Então ela teve que se virar. Candê não teve essa proteção masculina... O segundo marido dela era um grosso, ela é viúva duas vezes... Acho que foi isso, sabe? Ela trabalhou demais e, porque ficou muito tempo fora de casa, as crianças cresceram com muita independência, muito soltas.
Agora já sabemos que a Candê, que na verdade é avó de Fátima, criou a neta como filha. Você seria capaz de fazer algo como isso?
Quem pediu foi a Fátima, que, na época, tinha ainda 14 anos. A Candê é contra o aborto, é muito católica, nunca aceitaria. Eu também nunca aceitaria. Mas ela fez uma coisa inadmissível, que é mentir, isso eu já não faria. E agora ela não quer admitir que Fátima é filha de Felícia porque isso seria admitir, também, que ela tinha mentido.
Você se identifica com a Candê de alguma forma?
Não, né? [risos] Ela é muito exagerada, tem esse lado maternal que eu não tenho, é um universo bem distinto do meu. O que eu acho que temos em comum é esse jeito amoroso e o gosto pelo trabalho. Mas não sou louca de trabalhar desse jeito, não!
Na sua carreira pela TV constam papeis mais densos, como Santana, a professora alcoólatra de “Mulheres Apaixonadas”. Como foi viver uma pessoa com um vício tão forte?
Tanto a Santana quanto outros personagens retrataram obsessões. E foi um personagem tão forte que ficou na memória coletiva. Eu tive que estudar muito e observar as características dos alcoólatras, como a ansiedade, o enrijecimento muscular... E outra coisa, não pode ter muito pudor, não, tem que mergulhar! Esse tipo de personagem tem uma extensão social, uma reverberação social muito grande, as pessoas comentam na rua.
Você acha positivo abordar esses temas mais polêmicos em novelas? Porque em “Passione”, mesmo, surgiu a gravidez na adolescência e o aborto...
Tem um resultado social bem positivo, sim. O aborto e a questão da gravidez na adolescência foram muito interessantes. A juventude hoje é muito abandonada e não se conversa sobre esses temas de sexo, doenças sexualmente transmissíveis, drogas, como se deveria. Acredito que todos eles têm que ser discutidos nessa sociedade tão “livre”. As pessoas estão despreparadas, crescem sem limites. A internet está aí, e, embora seja uma ferramenta muito boa, também não tem controle. É muito importante ter discussão, se levantar novamente o assunto da coisa da família, do pertencimento. Com tanto blog e Twitter por aí você acha que as pessoas não querem pertencer a algum lugar, a alguma coisa? Querem, sim!
Em “Três Irmãs” você viveu a malvada Violeta. Foi divertido interpretar uma vilã?
Muito bom. A vilã é libertadora! Senti-me tipo o Coringa do "Batman", sabe? É tanta falta de ética, de julgamento, a pessoa pensa que é dona da Terra, que pode matar, fazer e acontecer. Eu me pegava pensando: “Qual é a crença dessa mulher para ela achar que tem o direito de fazer isso tudo?” Aí eu procurei pensar como ela, acreditar no que ela acredita. Mas foi divertido, sim.
Seu jeito extrovertido acaba “vazando” nos papeis que você interpreta, mesmo os mais intensos e malvados. É uma marca registrada sua?
Eu tento humanizar todos os meus personagens, passar tudo que posso. Alegria e extroversão sim, com certeza, mas também ansiedade, tristeza... Se der tempo, alguns sentimentos mais profundos. Procuro diversificar ao máximo.
Você teve ótimas atuações com o teatro ao longo de sua carreira, em peças como “Pérola”, de Mauro Rasi. Como está seu flerte com os palcos agora?
Eu acho que é uma forma gostosa de passar as noites, no palco, atuando. Passei cinco anos nessa peça e depois disso fiquei mais voltada para a televisão. Acho que passou do ponto, não sei mais com voltar. Estou com processos criativos voltados para outras áreas. Mas claro, teatro é uma delícia, quero voltar, sim.
Como está sua vida com a rotina intensa de gravações? Tem tempo para se cuidar, para namorar?
A gente tem tempo pra tudo, continua vivendo. Mas acho que já fiz tanta novela que não me assusto mais! [risos].
E é verdade que você também é madrinha da banda Lyra Tatuí, que é da sua cidade? Fala um pouquinho sobre essa curiosidade.
É verdade! Na segunda-feira (28 de junho) eles embarcaram para a Espanha, vão fazer uma turnê pela Europa que compreende a Espanha, Alemanha e Holanda. A Lyra Tatuí é banda de metais e percussão, e sou madrinha deles há três. Gosto muito dessas bandas de coreto, estou bem próxima desse universo. Quando eu posso acompanhá-los em shows, normalmente pelo interior de São Paulo, eu acompanho.
FONTE/FAMOSIDADES




















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