Werner Schünemann:
"Homem sem chifres é animal desarmado"
A frase é uma brincadeira do ator gaúcho
Por Andréa Lopes
O ator Werner Schünemann diante da nova sede da Fundação Iberê Camargo, inaugurada em 2008, que tem projeto arquitetônico do prestigiado português Álvaro Siza. O prédio fica em uma área de 8.250 metros quadrados e abriga mais de 5 mil obras do artista
A casa na Guanabara, Rio de Janeiro, foi desmontada. Foram cinco anos ali, mas Porto Alegre o chamou de volta. Werner Schünemann, 51anos, gaúcho, é articulado, lembra frases de parachoque de caminhão e diz que não é malandro novo, pois já sabe de tudo e até inventou alguns truques nessa área. Calma, não é uma vertente do Saulo, de Passione, aflorando. Isso ele diz em relação ao tratamento com os filhos espertinhos adolescentes, Arthur, 15, e Dagui, 13 - aliás, mais um traço que ele tem de muito diferente de seu personagem na novela, já que ele adora a família. A mudança para a zona sul da capital gaúcha, pertinho do Rio Guaíba, é pouco usual para um ator que ganha notoriedade em uma novela global, depois de 36 anos de carreira, e que tem uma rotina dura no Projac, durante a semana. ''Voltei em busca de qualidade de vida. E aí incluo segurança, escola para meus filhos e o convívio com o resto da família'', explica.
Romantismo
Ele vai e volta todo fim de semana, mas quando chega em casa tem o melhor dos mundos - e Werner recomenda. ''Aqui parece que há um diretor de arte mudando o cenário e a luz todos os dias. A cada dia há um novo clarear, há o horizonte no Guaíba, os barcos e veleiros na água. Porto Alegre tem um romantismo peculiar que combina com a minha índole'', diz Werner, que vai ficar na cidade por um período já demarcado, cinco anos. ''Com meus filhos descobri dentro de mim um amor que nem sabia que eu tinha para dar. Nossa convivência é de tolerância, mas também não tenho problemas em negar alguma coisa. Eles só têm de me convencer do porquê de ir naquela festa, fazer aquela viagem. Sabe como é, eu não sou malandro novo, eu sei de todos os truques, inventei muitos deles, inclusive. Mas eu deixo as coisas muito mais do que Tânia (Oliveira, 47)'', diz, citando a mulher, com quem está há 18 anos. Essa fase será para as crianças entrarem em uma nova etapa da vida e Werner espera que em breve já estejam vivendo por conta própria.
Sem colocar defeitos
Werner conheceu a mulher, que é figurinista, quando dirigia uma produtora. Admirava-a como profissional, mas com a convivência acabou se apaixonando. Não foi o primeiro casamento, mas foi com ela que finalmente pensou em ser pai. ''De repente a conheci, nos aproximamos, dois anos depois ela engravidou e eu vi que tinha nascido para a paternidade'', conta. E o casamento de quase duas décadas corre sem cobranças, um dos métodos da felicidade matrimonial, segundo cartilha do ator. ''Você não pode ficar com alguém e começar a colocar defeitos, querer mudar a pessoa. Isso é pedir para se incomodar. Também não costumamos ficar futricando um na vida do outro para achar coisinhas. Claro que agora, com o Saulo, o assédio mudou, mas meu casamento não. Tivemos um encontro bem-sucedido e uma relação familiar muito mais perfeita do que eu jamais poderia ter imaginado conseguir na vida.''
Outono gaúcho
E a vida agora é em Porto Alegre, lugar em que viveu até 2002, quando foi para o Rio e no ano seguinte fez a série que lhe trouxe fama, A Casa das Sete Mulheres, como o herói da Revolução Farroupilha da década de 1830, Bento Gonçalves. Werner passou um fim de semana com CONTIGO! na cidade e pegou momentos de outono típicos do lugar, que mescla sol com cara nublada e de chuva, tudo no mesmo dia. ''Gosto quando o clima está assim, esse ventinho me estimula, me dá energia. Se tem sol eu só tenho vontade de ir para a praia e ficar sem fazer nada'', diz, passeando pelo Clube dos Jangadeiros, que fica a duas quadras de sua casa. A fascinação pela vela, pelo barco, surgiu quando dirigiu o documentário Mar Doce, sobre a Lagoa dos Patos. ''As pessoas não sabem, mas é possível naufragar aqui, pois a lagoa tem 330 quilômetros de comprimento por 75 de largura. Quero aproveitar que voltei para Porto Alegre para fazer umas aulas e aprender a velejar'', sonha.
Madrugador
Acordar cedo para os planos ele faz na boa. Em Porto Alegre, coordenando os trabalhos de reforma da nova casa, ele já estava com seu chimarrão na sala às 6h. No Rio, acorda às 7h, faz exercícios aeróbicos, toma café e às 9h está na Globo, para um trabalho que se estende até as 21h, quando retorna ao hotel em que está morando, na Barra da Tijuca. Ah, lá pega os textos e sai estudando. É um CDF, admite. Mas logo que consegue uma folguinha pega um avião e vai para a família. ''Sou apaixonado pela minha terra. Aqui, acordo às 5h'', completa. ''Pela manhã eu estou legal, aprendo mais. Conforme o dia vai passando eu vou emburrecendo. É quase uma metáfora da vida'', se diverte... agora, pois em 22 de junho levou um susto ao cair com seu carro no Arroio Dilúvio, um córrego em Porto Alegre. ''Dormi mesmo, devia ter tomado um café antes de sair de casa. Levei um susto. Mas acabou tudo bem'', disse ele, que passou pelo teste do bafômetro com tudo OK.
Werner, passeando pela Fundação Iberê Camargo, logo é cercado por jovens. Com a TV, conquistou uma tranquilidade financeira que nunca teve, segundo suas próprias palavras. ''Algumas pessoas acham que consegui evoluir tarde na minha carreira. Acho que foi no tempo certo. Isso tudo tem a ver com sorte e muito trabalho. Agradeço à vida por ter me dado estas alegrias, estas experiências'', relata.
Por dentro de Saulo
''Saulo é um cão que ladra, mas não morde. Se ele não gosta de uma pessoa, aponta o dedo na cara da criatura e diz: 'Eu não gosto de você!'. Mas é um falastrão'', fala ainda dentro das metáforas da vida. ''Certa vez vi uma frase em um pára-choque de caminhão que dizia: 'Homem sem chifres é animal desarmado'. Nesse sentido, o Saulo é uma fortaleza'', continua, ao citar a mulher do personagem, Stella, vivida por Maitê Proença, 52, que não pensa duas vezes quando a oportunidade de pular a cerca se apresenta. ''Ela faz sexo todos os dias, independentemente de o marido estar disposto ou não'', diverte-se ele, que diz que existem muitos Saulos por aí, mas que não quer nenhum deles por perto.




















Nenhum comentário:
Postar um comentário