Isabeli Fontana em entrevista exclusiva ao iG Gente:
"Só me sinto sexy de cinta liga"
Por Isabelle Mani
Aos 27 anos de idade, Isabeli Fontana tem tantas histórias para contar sobre a vida pessoal quanto da profissional. Hoje uma das principais tops brasileiras e também do mundo, ela deu seus primeiros passos em uma passarela aos 12 anos. Aos 14, em 1997, já morava em Milão e aos 20, já consagrada, se tornou também mãe.
Do casamento com Álvaro Jacomossi nasceu Zion, em 2003. Quatro anos mais tarde, separada, subiu ao altar novamente com Henri Castelli e teve outro filho, Lucas, hoje com 3 anos. Natural de Curitiba, Isabeli se dividia entre Nova York, a casa da mãe no Sul e os trabalhos pelo mundo. Até porque, nas passarelas, a movimentação também continuou intensa. Mas Isabeli foi além: ultrapassou as fronteiras do mundo da moda e se tornou uma celebridade.
Ex do empresário Rico Mansur e atual do cantor Marcelo Falcão, com quem namora há quase dois anos, conquistou um lugar cativo nos holofotes ao viver uma história de princesa com Castelli em 2005, então um dos galãs promissores da TV. O casamento durou pouco e, assim como o primeiro, com o também modelo Jacomossi, se transformou em desafeto, com direito a disputa de guarda das crianças na Justiça e trocas de farpas públicas.
"Engoli várias coisas que aconteceram comigo", conta Isabeli, que hoje mora com os dois filhos - "eles são tudo na minha vida" - em um confortável apartamento nos Jardins, em São Paulo. "Sou pai e mãe ao mesmo tempo", diz.
Uma das dez mulheres mais sexy do planeta, segundo o site-referência 'Models.Com', ela se faz de modesta: "Não me acho sexy, mesmo quando estou maquiada, produzida para fotos. Só me sinto sexy mesmo quando estou de cinta liga. Na cama com meu namorado!". Ainda assim, acumula alguns milhões de dólares na conta bancária e faz parte do time de modelos do momento - e das mais bem pagas o Brasil.
Queridinha da editora da “Vogue” americana Anna Wintour e apontada pelo site 'WWD', um dos veículos mais respeitados do mercado de moda, como a representação perfeita de mulheres curvelínias, tendência recém-abraçada pelos fashionistas, Isabeli também é um sucesso comercial.
Os polpudos contratos com três gigantes do mundo publicitário, Revlon, Monange e C&A, esta última para quem ela assina uma linha própria, comprovam. "Sumiu das prateleiras, foi um fenômeno de vendas", diz um dos executivos da loja de departamentos, que há alguns anos aposta nas top models para alavancar suas vendas.
Foi nos bastidores da sessão de fotos para a próxima campanha da C&A, aliás, que a top - recém-chegada da França, por conta da semana de moda de Paris -, conversou com o iG Gente.
“Eu queria ter vida de pescadora”
Sou conhecida mais por ser um pouco azarada nos relacionamentos do que qualquer outra coisa (risos)! Eu acho até natural (ser celebridade) porque meu meio é muito exposto pra tudo. Antigamente , quando eu tinha 16, 17 anos, eu não queria ser famosa, só queria poder pagar minhas contas. Eu queria mesmo era morar na praia e ter vida de pescadora. Engraçado, depois que eu tive meu segundo filho eu passei a ter muitas responsabilidades, então eu sei que preciso trabalhar e fazer o que eu sonho pelos meus filhos. Eu me cobro muito. Eu olho para o futuro.
“Meu filho não é retardado!”
Pra mim seria muito fácil morar nos Estados Unidos e levar meus filhos comigo, fazer minha vida lá. Tentei achar escola para meu filho mais velho, Zion, e não consegui. Fiz inscrição em vinte escolas e ele não foi aceito por total discriminação. Fizeram isso porque meu filho não falava 100% inglês, ele estava aprendendo, tinha 5 anos! A pessoa que estava me ajudando a procurar escola disse para inscrevê-lo na classe de ‘necessidades especiais’, para pessoa retardadas. Eu falei: ‘Minha filha, meu filho não é retardado, ele é muito normal, e quer saber? Tchau Estados Unidos, não preciso desse país pra nada, só pra trabalhar e fazer minha carreira, e tchau! Meu país é o Brasil, lá ele vai ser muito mais feliz e ter qualidade de vida, além de não ser uma criança robótica’. Lá eles criam crianças robôs, programadas para ser isso, aquilo...
“Minha mãe era bem pior”
A base dos meninos hoje é em São Paulo, porque eu posso trabalhar, viajar e voltar pra casa. Sou rígida com eles, mas às vezes eu largo. Se você perguntar para o meu filho se a mamãe é brava, ele vai dizer que sim. E também não deixo comer porcaria. Eu projeto um futuro bacana pra eles, mesmo que meus filhos encham o saco dizendo que querem isso ou aquilo, eu quero o melhor pra eles, as coisas que eu não tive na minha infância. O Zion às vezes me diz que sou muito brava, mas digo a ele que a minha mãe, a avó dele, era bem pior. ‘Eu apanhava de cinta e você não apanha, então fica contente!’(risos).
“Adoro contar historinhas”
Os dois estudam em uma escola americana, então falam inglês. É a coisa mais linda! O Zion até me pede pra não falar português com ele! Como eles ficam mais tempo na escola minha mãe me diz que estou sobrecarregando os meninos. Eu não acho certo eles ficarem em casa presos assistindo à televisão. Só no fim de semana. O certo é correr, brincar. Adoro contar historinhas para os meus filhos, pego os livrinhos deles da escola.
"Eles quebraram a casa inteira depois!”
Tentei até uma época conversar com eles por Skype, mas acho moderno demais pra mim, e os meninos não gostam. Eles parecem que sentem mais que estou longe. Tentei algumas vezes e o efeito não foi bom, eles quebraram a casa inteira depois! “Mamãe, mamãe, volta! Quero a mamãe aqui!” (risos). Ligo toda a hora para minha família pra saber como eles estão, converso com eles, tento deixá-los felizes.
“Eu tenho que ser mãe e pai ao mesmo tempo”
Essa coisa de crescer muito rápido me deixou cheia de cicatrizes, aprendi e estou aprendendo a me tornar um ser humano diferente. Às vezes não consigo dar conta de todos os meus problemas, eu piro! Depois que eu tive meu primeiro filho tive que aprender sobre responsabilidade na marra, imagina quando tive o meu segundo. As pessoas diziam que com o segundo é tudo mais fácil, que nada! Tudo dobra, os problemas só aumentam. Tem muitas gratificações, claro, mas é que eu tenho que ser mãe e pai ao mesmo tempo. Isso é muito difícil, tem que dar carinho e dar ordem.
“O momento passa”
Se você não transformar suas experiências em aprendizado e não crescer, você vai ser só um personagem e acabou, o momento passa. Só eu sei o quanto sofro para ainda aparecer nas ‘Vogue’ América e França. É uma projeção de carreira, eu dou tudo o que eu tenho nesses momentos.
“Só me sinto sexy mesmo quando estou de cinta liga”
Não me acho sexy, mesmo quando estou maquiada, produzida pra fotos ou trabalhos. Só me sinto sexy mesmo quando estou de cinta liga. Na minha cama com meu namorado!
“Sou bem trash”
Tem a pessoa que você mostra e a que você é. As pessoas olham pra mim e pensam que eu sou chic, glamurosa, mas eu me faço assim. Eu na verdade sou bem trash, um pouco gótica até. Não sou nada mulherzinha, mas sou feminina, odeio mulher ‘machona’.
“A gente se diverte sozinhos no meio da multidão e foda-se!”
Sou uma pessoa muito isolada, não sou de festas e não pertenço a grupos, só faço o que quero. Pra zoar e se jogar, só mesmo no Ano Novo, quando me jogo no champagne. Gosto bastante de sair pra dançar com meu namorado (Marcelo Falcão, d'O Rappa), seja o som que for. A gente se seduz dançando. Amo ir a shows de rock’n’roll com ele, a gente se diverte sozinhos no meio da multidão e foda-se!
“Não sou competitiva”
As pessoas competem umas com as outras, mas eu não sou nada competitiva, zero. Eu penso só nos meus filhos, só em dar o melhor de mim. Eu não fico procurando ver quem está melhor que eu, quem está fazendo isso, ou aquilo melhor. Eu não to nem ai pra isso, na verdade. Sou mais eu.
“Eu sou tudo ou nada”
Eu sempre tenho que ter um sonho pra poder ir atrás. Não é bacana as pessoas lembrarem de qualquer coisa, quero deixar uma imagem inesquecível. É por isso que preciso ter um equilíbrio dentro de mim. Às vezes eu digo: ‘Chega, não aguento mais trabalhar! Não marca nada pra mim, preciso ir pra casa, ficar com meus filhos’. Eu sou tudo ou nada, não consigo ser meio termo.
“A ditadura da moda me entedia”
No começo da carreira eu era mais enjoada, torcia o nariz, mas agora estou adorando o que eu faço. Sou desencanada legal, não tô nem aí pra nada, mas quando estou trabalhando estou inteira ali. Gosto de coisas andrógenas. A ditadura da moda me entedia mais do que qualquer coisa, aí às vezes não consigo render o quanto gostaria em alguns trabalhos, fico desestimulada. Imagino que seria uma coisa incrível e aí chego lá e é algo monótono, sem inspiração, isso acaba comigo. Sou canceriana, preciso sonhar e fazer aquilo virar o que idealizei. Quando não consigo fico frustrada.
“Fui muito precipitada em certos momentos”
Arrependimentos? Engraçado, eu passei por cima de muita coisa, engoli varias coisas que aconteceram comigo, fui muito precipitada em certos momentos. Fui lá, fiz, aconteci, vivi. Hoje em dia eu faço terapia, acho muito importante eu aprender a me conhecer, me entender. Claro que não me arrependo de ter tido meus filhos, e sim, podia ter pensado melhor no meu futuro, mas não pensava no futuro, só no meu presente. Vivi muita coisa exposta demais pras pessoas, para o público.
FONTE\IG




























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