Aracy Balabanian:
"Atores são atores, celebridades vêm e passam"
Aracy Balabanian como a Máslova da atual novela das 19h da Globo, "Cheias de Charme"
Por Lufe Steffen
Com 50 anos de carreira, atriz de "Cheias de Charme" diz não se intimidar com a nova geração
Com 22 novelas no currículo, 72 anos de idade e há 40 deles na Globo, Aracy Balabanian coleciona uma série de personagens que fizeram história na televisão brasileira.
Da oportunista Cassandra de "Sai de Baixo", uma de suas preferidas, à inesquecível Dona Armênia, que ela viveu em duas novelas - "Rainha da Sucata" (1990) e "Deus nos Acuda" (1992/93) - a atriz se diz apaixonada ainda por Gemma, de "Passione".
No ar como a Máslova em "Cheias de Charme" e na reprise de "Que Rei sou Eu?" (1989), no canal Viva, Aracy não se intimida com a enxurada de atores que é despejada no mercado todos os dias:
"Atores são atores, celebridades vêm e passam. O tempo se encarrega de separar o joio do trigo", diz.
Sua carreira, aliás, foi consolidada nos palcos. Com passagem pela EAD - Escola de Arte Dramática - , protagonizou inúmeras peças de teatro. "É a minha origem."
Na entrevista a seguir, a atriz revela porque não gosta de falar sobre sua vida pessoal, comenta sobre seus grandes momentos na TV e fala ainda dos autores que sempre a homenagearam com personagens-ícones.
Em "Cheias de Charme", Máslova e a pérfida avó de Conrado (Jonatas Faro)
Aracy Balabanian e Lucélia Santos como mãe e filha em "Locomotivas" (1977)
Aracy, você tem quase cinquenta anos de TV. Como é o processo de criar mais um novo personagem na novela "Cheias de Charme"?
Meus personagens costumam ir se instalando aos poucos, delicadamente. Às vezes é um perfume, outras um tom de voz que chega primeiro. Com a Máslova não foi diferente.
Em "Rainha da Sucata" (1990), Aracy viveu Dona Armênia, que roubou a cena da novela inteira
Com essa extensa carreira na TV, você atuou pouco em cinema. Gostaria que falasse sobre TV, cinema, teatro. Foi uma opção essa "preferência" pela TV?
Quanto ao cinema concordo, mas não foi uma opção, mas falta de convites interessantes. Já quanto ao teatro, tenho uma extensa carreira teatral, inclusive anterior à TV. Teatro é minha origem.
Dona Armênia fez tanto sucesso que retornou em outra novela,
"Deus nos Acuda" (1992), também de Sílvio de Abreu
"Deus nos Acuda" (1992), também de Sílvio de Abreu
Você estudou na EAD, um notório berço de grandes atores. Gostaria que falasse sobre essa fase, e como você vê o panorama das escolas teatrais de hoje. O que mudou na preparação para a profissão?
EAD foi um momento único criado por um homem único como foi Dr. Alfredo Mesquita. Mas existem excelentes cursos de formação de atores como a CAL - Casa de Artes de Laranjeiras - e o Tablado (ambos no Rio de Janeiro). Ciladas sempre existiram e sempre existirão.
Falando nisso, o que você acha da nova geração de atores? Como você analisa a atual indústria de celebridades, que confunde "ser ator" com "ser famoso"?
Atores são atores, celebridades vêm e passam. O tempo se encarrega de separar o joio do trigo.
Em 1969, a montagem de "Hair" tinha no elenco Aracy, Antônio Pitanga,
Antônio Fagundes, Altair Lima e Armando Bógus, entre outros
Antônio Fagundes, Altair Lima e Armando Bógus, entre outros
Gostaria também que falasse sobre a histórica montagem de "Hair" (1969), que atualmente tem uma nova versão nos palcos. Como foi fazer essa peça e como foi o trabalho com Ademar Guerra?
"Hair" foi montado em um momento especial, era um texto necessário naquele momento. Fico feliz que tenha sido remontado, de maneira tão primorosa e que os jovens possam assistir esse espetáculo lindo e atemporal. E ter sido dirigida pelo Ademar é uma grande honra.
E o trabalho com Ademar em "Vila Sésamo" (1972)? O que representou esse programa na sua vida e carreira?
Ademar foi um dos meus grandes parceiros de vida. Todo e qualquer trabalho com ele se tornavam especiais. "Vila Sésamo" não foge à regra. Acho que fizemos a diferença para toda uma geração de crianças que hoje gira em torno dos 40 anos.
Em dois momentos dos anos 70: o infantil "Vila Sésamo",
e a novela "Locomotivas" (com Walmor Chagas)
e a novela "Locomotivas" (com Walmor Chagas)
Você trabalhou bastante com Cassiano Gabus Mendes, fazendo grandes personagens como a Milena de "Locomotivas" (1977) e a Marta de "Tititi" (1985). Como era essa relação? Ele escrevia pensando em você para os papéis?
Se Cassiano escrevia os personagens pensando em mim nunca me disse. Mas eram tão bons que feitos para mim ou não tornaram-se meus.
Como a rancorosa Marta na primeira versão de "Tititi" (1985), ao lado de Myriam Rios e Cazarré
Falando em Cassiano, "Que Rei Sou Eu?" está no ar no Canal Viva. Como foi fazer essa novela? Você acompanha a reprise de seus trabalhos no Viva?
Não assisto devido ao horário, mas gravo. Foi uma delícia, porque uniu um texto maravilhoso, um elenco de primeira e os figurinos eram uma delícia.
Em cena de "Que Rei Sou Eu?", ao lado de Edney Giovenazzi, Tato Gabus e Vera Holtz
Outro autor marcante na sua carreira: Sílvio de Abreu. Repito a pergunta sobre Cassiano: o Sílvio escreve especialmente para você? Como se dá essa parceria?
Sílvio é um grande parceiro e amigo. Sei que alguns personagens foram escritos especialmente para mim. É uma grande honra para um ator quando um autor do calibre do Sílvio de Abreu faz isso. Devo a ele alguns dos meus melhores momentos na televisão.
As irmãs Ferreto de "A Próxima Vítima" (1995): Aracy, Yoná Magalhães e Rosamaria Murtinho
Você fez várias personagens estrangeiras, como a Dona Armênia, a Gemma de "Passione" (2010), a Filomena Ferreto de "A Próxima Vítima" (1995), e agora a Máslova. Acha que sua origem armênia interfere nisso? Como faz para criar os diversos sotaques?
Os sotaques são estudados e trabalhados com ajuda de profissionais, no caso da Gemma de "Passione", ou calcados em experiências de vida, como Dona Armênia. Acho que meu tipo físico atrai esses personagens de origem ou descendentes de estrangeiros.
Como a Gemma de "Passione", ao lado de Tony Ramos, o Totó
A pergunta inevitável: qual seu personagem preferido, entre todos os que fez na TV? Ou cite três, se não puder escolher apenas um.
Citaria Dona Armênia, que chegou a ser repetida em outra trama. Cassandra do "Sai de Baixo", que interpretei durante seis anos e muito me divertiu. E ultimamente Gemma de "Passione", pela vivência que meu núcleo teve na Itália, e pelo vulcão de emoção que era aquela italiana.
Com Lima Duarte em "Da Cor do Pecado" (2004)
Em meio a tantos atores que se expõem na mídia, você é uma atriz reservada que nunca fala de sua vida pessoal. Por quê essa opção? Você nunca teve vontade de ter filhos?
Acho que ao público devo meu trabalho e conquistas. Minha vida particular é como o nome diz: particular. Não acho que meus problemas ou sucessos pessoais vão despertar interesse, a não ser dos meus próximos.
Quais seus planos para o futuro?
No momento fazer bem a Máslova. O futuro ainda virá...
A hilária Cassandra de "Sai de Baixo": uma das preferidas de Aracy
FONTE\IG
































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