Graziela Schmitt sobre Xuxa:
“Tenho um sentimento de gratidão por ela”
Por Leandro Lel Lima
De ex-paquita a protagonista de uma novela portuguesa. Graziela Schmitt começou como assistente de palco da eterna ‘rainha dos baixinhos’ nos extintos “Xuxa Park” e “Planeta Xuxa”.
Estreou no seriado “Sandy & Junior”, como a vilã Laila, que sonhava em levar Junior ao altar. Logo depois, apresentou a “TV Globinho”.
Mas o sonho de ser atriz falou mais alto e “Malhação” foi uma escola para Graziela, que garantiu duas participações nas temporadas 2004 e 2009.
Grazi conquistou papéis em “Pé na Jaca” (2006) e “A Favorita” (2008), mas foi em “Amor e Revolução” (2011), pelo SBT, que a atriz sentiu o peso de ser a protagonista de uma trama que tinha como tema principal a Ditadura Militar.
Líder do movimento estudantil, Maria Paixão lutava por um país mais justo e democrático. Em 2013, protagonizou “Belmonte”, novela exibida pelo canal TVI de Portugal, e conquistou fãs por toda a “terrinha”.
A produção foi indicada ao Emmy de Melhor Telenovela em 2014.
Em entrevista exclusiva ao RD1, Grazi conta detalhes da sua vida em Portugal, da relação com os fãs europeus, do processo de estudos para “Amor e Revolução” e a ida de Xuxa à Record.
Confira a íntegra da conversa:
Em “Amor e Revolução”, você deu vida à uma mocinha que tinha ligações com direitos humanos e era líder do movimento estudantil. Como foi o processo de estudo para o folhetim?
Procurei um professor de história, especialista nessa época, e começamos a estudar uns dois meses antes das gravações. Assisti a documentários e filmes sobre o tema e conversei, sim, com algumas pessoas que viveram esse momento, assim como o atual vereador da cidade de São Paulo, Waldir Pires. Entre outras pessoas como tios, avós e amigos de amigos.
Um dos setores mais afetados pela Ditadura Militar foi o campo das artes. O quanto o teatro, ou até mesmo a novela, pode contribuir para a formação do público sobre temas tão importantes?
Podem contribuir muito! Não só a novela e o teatro, mas também o cinema. O teatro surgiu com esse objetivo na Grécia. A população toda ia ao teatro que tinha como objetivo a educação do povo. No Brasil, a cultura da novela é muito forte! O impeachment do Collor, por exemplo, se deu na época da exibição da minissérie “Anos Rebeldes”, que também contava a história da ditadura militar no Brasil. Brecht com seu teatro político também tinha esse propósito de promover a reflexão sobre o presente momento.
O Brasil tem passado por um momento de turbulência na política e de conservadorismo em relação a vários temas. Como isso repercutiu em Portugal?
Não estou em Portugal nesse momento. Voltei para o Brasil há oito meses. De toda maneira, quando estava lá, o “gigante”, aqui no Brasil, tinha acabado de acordar e se falava muito nisso. Acho que Portugal, assim como o mundo, ficou impressionado e surpreso em ver um povo tão indignado com o governo de um país que crescia tanto. Algumas pessoas já falavam que, dentro de pouco tempo, aconteceria com Brasil o que está acontecendo, ou seja, uma grande crise econômica pela frente.
Guarda alguma cena marcante da novela?
Guardo algumas! Passamos uma semana gravando no Pantanal cenas bem fortes, como a morte do pai da minha personagem que acontecia em uma explosão. Lembro também, com muita alegria, das cenas com a Manuela Couto, atriz portuguesa, que fazia minha mãe. Eram muito boas de gravar! Acabamos criando uma afinidade absurda, apesar da relação entre as personagens ser extremamente conflituosa e, ao mesmo tempo, de muito amor. Havia uma divergência grande de valores entre elas.
Como surgiu o convite para trabalhar em Portugal?
Na realidade, eles precisavam de uma atriz brasileira que morasse no Brasil e não de uma brasileira que já estivesse acostumada à cultura portuguesa por morar lá. A Paula, minha personagem, era uma brasileira, filha de portugueses, mas que nunca tinha ido a Portugal. Dentro desse perfil, a produção da novela procurou o meu escritório de agenciamento em busca de uma atriz e fui selecionada.
A forma como a TV lusitana conduz uma novela é muito diferente da brasileira?
Acho que a maior diferença está na forma como cada país conduz a produção. Penso que tem uma questão cultural que difere nesse processo.
Como é a relação da imprensa com os atores?
É como aqui, não senti muita diferença.
E com os fãs?
A abordagem do povo português é mais singela. Eles costumavam me dizer “Peço desculpa, mas não é a menina Paula? É que eu gosto muito de si.” Os portugueses, em geral, são mais reservados. Aqui no Brasil a abordagem é mais direta e expansiva! (risos). Acontece muito de você estar de um lado da rua e, de repente, ouvir alguém, do outro lado, te chamar!
O que mais gosta de fazer pelo país?
Gosto e acho bacana tentarmos estar sempre ligados em algum trabalho social.
Como controlava a saudade dos amigos e familiares?
A internet era sempre uma boa opção! O FaceTime , WhatsApp e Skype também ajudavam muito. Independente disso, recebi muitas visitas dos meus pais, do Paulo [namorado] e do meu irmão no período em que fiquei lá.
Existe algo que é muito diferente da nossa cultura?
Hambúrguer de bacalhau! (risos). Tem uma hamburgueria no Bairro Alto que eu amava e que é especialista nisso. É maravilhoso!
Já tem planos de um novo trabalho pela TVI?
Por enquanto, não.
E no Brasil?
Estou fazendo a coprodução do longa metragem “Limpe Antes que Manche o Carpete”, adaptação da peça que fiz em 2008. O roteiro é do Jô Bilac e, no elenco, além de mim, estão Taís Araújo, Felipe Abib e Ed Moraes. A produção é da ‘Pontos de Fuga’, que já produziu longas como “Simonal - Ninguém sabe o duro que dei” e o “Jean Charles”. Tenho também outros dois projetos de teatro que estão em fase de captação de recursos.
Xuxa não faz mais parte do casting da Globo e vocês trabalharam juntas por anos. Como viu a mudança da loira para a Record?
Vi positivamente. E desejo muita sorte nessa nova fase. Tenho um sentimento de gratidão grande por ela.
Tem vontade de voltar a trabalhar como apresentadora?
Trabalhei durante um ano e meio na “TV Globinho”. Foi uma experiência muito gostosa porque tinha a ver com o meu momento de carreira. Tinha acabado de sair da faculdade de jornalismo e, por isso, fez sentido naquele momento. Sobre a vontade de voltar, dependendo do projeto, voltaria sim. Gosto de falar diretamente com o público!
FONTE/RD1




















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