segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Confira entrevista exclusiva com a banda Hateen!
Por Clara Ribeiro Silva
Uma das bandas de hardcore mais conhecidas do Brasil estão de volta à ativa. Eles revelaram algumas curiosidades sobre a carreira. Confira!
“Mil novecentos e noventa e sete / Novembro, ainda me lembro/ Era fim de ano, eu não tinha nada e você um novo emprego / Foi quando tudo aconteceu”(...)
É difícil encontrar alguém nascido nos anos 90 que não cantou pelo menos esse trecho na adolescência. 
Esse hit, 1997, foi como um furacão na carreira da banda Hateen, que após um período de muita exposição – eles foram agenciados pela Arsenal Music, do produtor Rick Bonadio -, deram uma sumida e ficaram por um tempo no underground.
Hateen é formada por Rodrigo Koala nos vocais, Fábio Sonrisal na guitarra, Japinha na bateria e Leon Sérvilo, o mais recente integrante, no baixo, e voltou com tudo após lançar o clipe da música ‘Obrigado Tempestade’, que compõe o cd de mesmo nome, quinto e último disco da banda. 
O vídeo já tem mais de 80 mil visualizações no YouTube e segundo Koala foi feito de maneira inusitada e com pouquíssimo investimento.
Confira o bate um papo com os meninos sobre a carreira e os planos daqui para a frente!

No início o repertório de vocês era em inglês, mas o sucesso veio mesmo quando começaram a cantar em português. Isso aconteceu pela mudança nas letras ou por estarem em uma grande gravadora?
Mudou bastante coisa, o público, claro, se identificou muito mais, nossas músicas foram para as rádios! Foi bem engraçado, pois com as músicas em inglês o show era para 100 pessoas, quando mudamos e resolvemos criar em português tinha 10 mil na plateia. A gravadora ajudou em alguns aspectos, e esse foi um deles. 

O que definiu a saída da banda da Arsenal Music?
É bem difícil ter prioridade quando se está numa gravadora, e além disso não fomos muito bem trabalhados. A culpa não foi só deles, nós não conseguimos nos adequar a quantidade de regras impostas e aos trabalhos que tínhamos que fazer apenas por uma questão publicitária, não era aquilo que a gente queria. 

Vocês deram uma sumida da mídia, qual foi o motivo?
Ah, estava bem difícil manter, pois saímos da gravadora, não estávamos com assessoria de imprensa.

Após o sucesso de 1997, ficaram com medo de se tornarem uma banda de um só sucesso?
Na verdade não. Não ligamos muito para isso, as pessoas podem achar o que quiserem da gente.
Koala: Eu quero só tocar, pois tenho pouco tempo de vida (risos) e pra que perder tempo, né? 

Vocês foram considerados a primeira banda EMO, o que é motivo de piada entre o rock and roll. Isso incomoda vocês?
Só incomodou porque achavam que a gente era igual aqueles caras com o cabelo 'lambido', e a gente não era daquele jeito. Isso foi o que mudou todo o cenário. 

Qual a diferença do Hateen de antes para o de agora?
Não houve mudanças na banda, até mesmo porque o produtor desse nosso último CD, o Lampadinha, é o mesmo que produziu nosso disco na gravadora e ele é muito bom, já ganhou Grammy e produziu quase todos os álbuns do Charlie Brown Jr.. Todo mundo da banda confia muito nele, e quando vamos pro estúdio, ele se torna um artista também.

Vocês concordam com aquela frase "O rock morreu"?
Koala: Discordo plenamente. Acho que o rock morreu para quem não gosta do estilo, para quem nunca ouviu. Eu não imagino minha vida sem rock, eu crio meu filho ouvindo rock.

Por ser de um CD independente, as 80 mil visualizações do clipe Obrigado Tempestade no Youtube, surpreendeu?
Koala: Bom, para falar a verdade, eu fico meio assustado com a proporção de likes em um vídeo de rock em comparação, por exemplo, com os clipes de funk atualmente. Acho estranho, mas entendo, pois é esse o gosto do brasileiro ultimamente, é difícil mudar.

O clipe Obrigado Tempestade já ganhou dois prêmios no festival de Tocantins. Como rolou a ideia do clipe e o que chamou mais a atenção do público?
Então, não tivemos participação nenhuma no curta que compõe o clipe. A gravação foi feita na casa do próprio ator, Felipe de Sicca, super gente fina, e o único custo que tivemos foi com o conserto de algumas coisas que acabaram se quebrando por conta do roteiro (veja o clipe abaixo). Nossa música só foi encaixada e ficou perfeito.
O que mais chamou a atenção do público foi a identificação com o assunto falado, a questão do alcoolismo e também das diferenças, pois com a participação de Ariel (ator com síndrome de down, conhecido por fazer campanha para a vinda de Sean Penn para o Brasil), a mensagem que se passou é de que o louco é menos louco que o normal. 

Quais são as bandas que mais influenciam Hateen?
A gente sempre gostou de bandas de punk rock e de guitar band. Nirvana, Wizard, Pixies, Sonic Youth Bad Religion são algumas bandas que nos influenciam e de lá pra cá continuamos gostando basicamente das mesmas coisas. 80% do que eu ouço é dos anos 90 para trás.

Daqui pra frente quais são os planos pra banda?
Eu acredito que vamos continuar na estrada por muito tempo e conquistar ainda muitos fãs autênticos. O mais importante é continuar dando risada, quando a gente parar de rir, acabou a banda.  

Qual a mensagem que a banda quer passar para o público?
Realmente isso, o que importa é se divertir. E que não precisa ficar pensando em formas de se fazer sucesso. A resposta sempre é: vá se divertir primeiro, o sucesso é consequência, se fizer, ótimo, se não, pelo menos você se divertiu pra caramba!

FONTE\CONTAMAIS

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