Otávio Müller se traveste para contar
como é "A Vida Sexual da Mulher Feia"
Estreou na última sexta-feira (10), no Teatro Folha (SP), a "comédia pop" baseada no livro homônimo de Claudia Tajes, "A Vida Sexual da Mulher Feia".
No palco, o ator Otávio Müller – o circunspecto Djalma de "Tapas & Beijos" (Globo), se transforma em Maricleide, a feia, e conta a sua sofrida história de vida.
Maricleide já nasce feia. Os parentes, que vão conhecê-la no berçário, não conseguem disfarçar o susto que levam ao ver o seu rostinho.
"Todo o bebê nasce com cara de joelho", argumenta a mãe. "Mas essa nasceu com cara de bunda!", retruca um tio mais grosseiro.
E se Maricleide sofre com a feiúra na infância, piora na adolescência com as malditas espinhas. E quem quer namorar com Maricleide?
Só o diabo do filho do porteiro, "o menino mais feio e chato que já vi!", queixa-se a menina-moça.
Mas é ele que, depois de tanto insistir, lhe dá o primeiro beijo em sua festa de quinze anos.
E a primeira transa? Só com 21, com o trocador do ônibus que mora absurdamente longe.
Mas para deixar de ser virgem, Maricleide já estava disposta a ir até a Eslováquia!
Müller usa poucos recursos visuais, como alguns vestidos e perucas, que troca em cena aberta mesmo, sem nenhuma maquiagem, e interpreta todos os personagens que envolvem o universo de Maricleide.
Com muita agilidade e ritmo, ele próprio faz a mãe, o pai, o tio, o filho do porteiro, o trocador de ônibus e a divertida e desbocada amiga com quem a protagonista divide apartamento, entre outros.
Com algumas projeções ao fundo do palco e intervenções oportunas da sonoplastia, Otávio narra e vive ao mesmo tempo toda a saga de Maricleide.
Até que numa noitada acontece a redenção da já mulher feita e sempre feia: ela é convidada a dar conselhos em um programa de rádio e alcança grande sucesso.
O menino mais bonito da escola, que a desprezava outrora, acaba se apaixonando pela sua voz e, sem saber de quem se trata, marca um encontro com ela.
Maricleide vai ao encontro e percebe que aquele menino lindo virou um homem comum: envelheceu, engordou e ficou careca! Ele a beija e ela se sente finalmente bonita.
Assim, Maricleide chega à conclusão de que "ser feia é tão somente um estado de espírito". O que não é bem verdade. Ser feio é ser feio e ponto.
Maricleide viveu isso na pele quando menina na escola. "O importante é que você tem um bom coração", argumentava a sua mãe, tentando consolá-la.
A menina observava que a sua coleguinha, que não parecia ter um "bom coração" mas era belíssima, tinha todos os meninos aos seus pés!
O público se diverte do início ao fim com as peripécias da Maricleide de Otávio Müller.
Em alguns momentos até se emociona com as agruras pelas quais a "menina feia" é obrigada a passar.
E comemora com ela, quando dá a volta por cima. Ator rico em recursos, Müller capricha nos pequenos detalhes.
Com adaptação de Julia Spadaccini e direção do próprio Otávio Müller, "A Vida Sexual da Mulher Feia" tem temporada programada no Teatro Folha (Shopping Pátio Higienópolis - SP) até 02 de março.
FONTE\FOLHA




















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